Pelas cinzas do tempo


Meu amor,
Quando teus dias forem cinza como as manhãs invernais
Quando teus olhos forem castanhos de um escuro turvo
e sem razão, chorares pela esbórnia dos tempos juvenis
Quando a chuva cair insana e machucar sua organização
Lembre-se que a vivência é somente um cais óptico, inerte, inalado por nossa existência
Lembre-se que o vento pode soprar a seu favor se fores gentis com os tempos e com as pessoas
Lembre-se que Picasso reinventou seu ponto de vista ao olhar para os seres
Que mortais, como tu e eu, nada sabiam da arte da vida
Volte à Paris sempre que puder
Mas não para sentir tal como os outros
Não para imitar a arte dos imortais
Mas para lembrar-se de mim
E para não deixar que o amor sucumba
na prisão da realidade cruel

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