COTIDIANO

6:00.
Segunda-feira.
Inicia-se a rotina cotidiana.
Café, jornal, barra de cereal, metrô.
Esbarra, pede desculpas.

     - Com licença.


     - Obrigada.
     - Que raiva!


     - Qual o prazo mesmo?
     - Entrego amanhã, pode deixar.
     - Alô? Oi, pode me ligar daqui 15 minutinhos? Estou em outra ligação...
     - Oi? Hoje à noite? Pois é, não dá...
     - Ok, refaço.
     - Sem problemas.

E volta para casa. E deita na cama. E puxa a gaveta de aspirinas. Pega o notebook.
Inteiramente preso no cotidiano, na rotina, no descaso consigo.
Ignora as manchetes dos noticiários.
Ignora as músicas do último Rock'n Rio.

     - Quando foram as últimas eleições?
     - Ah, verdade. O senado cada vez mais corrupto.

Quase de modo automático acorda, se alimenta, pensa e responde.
Vive?
Já viveu. Talvez haja cura para isso.

     - Aspirina?

Se não vive, ao menos produz.

É isso o que importa.

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