UMA CARTA DE AMOR
Dizia já Fernando Pessoa que todas as cartas de amor eram por natureza, esdruxulas.
Talvez o que ele não compreendesse quando escreveu isto é que elas fazem sentido apenas para os apaixonados.
Veja, não tenho habilidades para esse gênero literário, mas por você eu quero tentar ser a melhor escritora de cartas de amor.
Houve um tempo em que tudo foi trevas por aqui. Se tens a imagem internalizada de uma terra infértil e desabitada, em ruínas onde nem o sol ousa tocar, podes imaginar como foram as trevas do meu coração. Gostaria que pudesses imaginar ao menos por um instante esta cena.
É engraçado e curioso como as coisas acontecem.
Jamais imaginaria que chegaríamos até aqui.
Cultivou-se uma amizade terna e alguns abraços sinceros.
Sempre pudemos ser nós mesmos diante de nós. Não precisamos forjar uma imagem melhorada ou esconder nossa face sob mascaras. Não foi necessário.
Também nunca foi necessário dizer nada para que nos compreendêssemos. Temos sido bons com os silêncios um do outro.
Seu carinho regou as terras, pouca a pouco. Trouxe um pouco de luz, adubou o solo e plantou algumas flores.
Me fez cantar.
Estive perdida dentro de mim, mas aos poucos tenho saído da caverna, contemplado o nascer do sol.
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